Dê-me um quarto claro, com cortinas translúcidas e uma porta trancada. Dê-me um bom repertório musical e deixe o volume ameno. Dê-me uma cadeira confortável e uma cama de casal com um bom edredom. Quero também um cinzeiro com cheiro de lavanda pra eu apagar a bituca de todo o incomodo que tem dentro de mim. Quero 25 garrafas do vinho tinto mais doce que você tiver. Ter minha gata por perto também não me faria mal…pode deixar ela aqui comigo. Deixem um bom computador comigo. Agora, entregue-me a caneta mais macia e o maior e mais bonito caderno que você tiver. Não tenho nada muito além da vontade e preciso de tudo - muito além da verdade. Isso é um assalto. Estou roubando a minha própria alma. Vou mantê-la em cativeiro, torturá-la e ameaçá-la só pra ver até onde ela pode chegar…e quando ela chegar, AH, quando ela chegar: solto ela, deixo ela livre, linda, madura…e perdida.
Agora pode ir lá, pegar seu caderno e tentar fazer poesia. Os olhos úmidos e cansados nunca impediram o sorriso e o amor já nem sabe mais viver sem ti…descansa bem, bonita! Fecha bem as janelas de percepção e escancara a porta dos sonhos…o azul dos seus olhos estão pedindo.
Deixa as gotas caírem e molharem meu rosto. Deixa eu sentir o gosto amargo dessa chuva que um dia foi tão doce. Deixa a enxurrada lavar-me toda…ah, as Águas de Março! A alma precisa chover pelos olhos de vez em quando. Deixa.
(Source: cher-la-vie)
(Source: mylifeinbookpages)
E quando está tudo à flor da pele assim as pontas dos meus dedos não se sentem seguras se não estiverem segurando uma caneta. Esta, sempre ansiosa pra derramar tinta e brincar de fazer poesia, aquelas, sempre tão fartas de tudo, transformam as lágrimas dos olhos em ballet dos dedos.